À medida que a economia global consolida sua recuperação e o dólar perde seu status de porto seguro, é provável que a força atual da moeda americana diminua.

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No início de 2020, tudo fez parecer que as condições que faziam do dólar uma das moedas mais fortes do mundo haviam perdido algum fôlego e que seu enfraquecimento no curto prazo seria apenas uma questão de tempo. Tornou-se cada vez mais claro que os fatores que há muito jogavam a favor do dólar, como o dinamismo econômico e o diferencial nas taxas que distinguiam os Estados Unidos de seus pares, perderam força. Mas tudo isso foi antes de um choque exógeno totalmente inesperado atingir o mundo inteiro e mudar abruptamente as tendências prevalecentes. Uma enorme tempestade global estava se aproximando, e a necessidade de buscar abrigo adequado mudou imediatamente as prioridades e as necessidades dos investidores internacionais.

 

Bem-vindos a uma nova apresentação em áudio de O Pulso da América Latina. Meu nome é Gabriela Wolfrid, e estou narrando em Português o áudio originalmente distribuído em espanhol do Franco Uccelli, diretor executivo e chefe de estratégia de investimentos para clientes da América Latina no J.P. Morgan Private Bank. Hoje, analisaremos se os fatores que levaram o dólar ao seu nível mais alto em mais de 25 anos serão capazes de manter sua vigência no curto prazo ou se há alguma justificativa para concluir que o dólar poderia perder vitalidade e que sua força atual poderia ter data de vencimento.

 

Apesar da moderação esperada no crescimento econômico dos Estados Unidos no curto prazo e da redução de suas taxas de juros, fatores que, em circunstâncias normais, devem levar ao enfraquecimento do dólar, esse não foi o caso, especialmente se seu comportamento recente é comparado ao das principais moedas latino-americanas. Isso se deve em grande parte ao fato de que a enorme ansiedade e incerteza causada pela pandemia global e pelas políticas governamentais de conter sua propagação produziram um aumento significativo na aversão ao risco e fizeram com que os investidores internacionais procurassem refúgio nos ativos considerados os mais seguros ou menos arriscados. Como o dólar é a moeda de reserva e refúgio por excelência em todo o mundo, a moeda dos EUA foi um dos principais beneficiários dessa mudança abrupta no sentimento do mercado. No meio de uma grande tempestade, o dólar foi visto por muitos como o porto âncora mais seguro.

 

Mas a questão que permanece é se isso será apenas uma tendência temporária ou o reflexo de uma mudança de paradigma com efeitos a longo prazo. Nossa análise sugere que provavelmente é a primeira, ou seja, a força recente do dólar é estritamente temporária. Por um lado, os dados econômicos mais recentes mostram que as principais economias do mundo já estão começando a reativar, um primeiro sinal de que a tempestade está começando a se dissipar, pelo menos no mundo desenvolvido. À medida que a economia global consolida sua recuperação, a aversão ao risco e, portanto, a necessidade de buscar refúgio, diminui, reduzindo assim a atratividade do dólar como um investimento relativamente seguro. Além disso, dado o recente fortalecimento do dólar, ele tem sido negociado a níveis muito altos, não vistos em mais de um quarto de século. A sobrevalorização do dólar, no contexto de expectativas de longo prazo de taxas de juros próximas a zero e injeções de liquidez monetária em dólares, provavelmente fará da moeda americana um investimento ainda menos atraente no curto prazo.

 

À medida que a tempestade passa e a estabilidade macroeconômica do mundo é restaurada, o dólar, que tende a brilhar mais no escuro, perde parte de seu brilho e o mercado busca alternativas de investimento de risco moderado que possam oferecer maior retorno e que também proporcionam os benefícios da diversificação. Consideramos que o euro, que anda um pouco atrás do dólar, poderia estar entre eles, e dada a recuperação prevista da Europa, ele teria um bom potencial de reavaliação, e o ouro, que normalmente se move na direção oposta ao dólar e às taxas de interesse real, ou seja, quando o dólar e as taxas reais caem, criam espaço para o ouro subir.

 

A proteção oferecida pelo dólar em períodos de tempestade é inestimável, e é por isso que o dólar tende a se fortalecer em períodos de incerteza e volatilidade. Mas quando a estabilidade e a previsibilidade retornam, seu apelo sofre e seu valor tende a diminuir. A pandemia gerou uma tempestade global sem precedentes e, durante vários meses, o mercado encontrou um bom abrigo contra seus flagelos no dólar, mas à medida que os ventos se acalmam e a necessidade de se refugiar diminui, é provável que o valor do dólar se deprecie e o de suas alternativas consequentemente aprecie, uma aposta que, em nossa opinião, é bastante razoável a partir de agora.

 

Muito obrigada por sua atenção e até breve.

 

Este áudio foi preparado apenas para fins informativos e é uma comunicação em nome do J.P. Morgan Securities LLC, membro da FINRA e SIPC. As visões descritas podem não ser adequadas para todos os investidores e não constituem aconselhamento pessoal sobre investimentos, nem pretendem ser um convite à licitação ou recomendação. Perspectivas e retornos passados não são garantia de resultados futuros. Este não é um documento de análise de investimento. Leia outras informações importantes, que podem ser encontradas aqui: www.jpmorgan.com/LAPdisclosures

A proteção que o dólar oferece em períodos de tempestade é extraordinária. De fato, na atual crise o dólar está sendo negociado a níveis não vistos em mais de um quarto de século.

"A sobrevalorização do dólar, no contexto de expectativas de longo prazo de taxas de juros próximas a zero e injeções de liquidez monetária em dólares, provavelmente fará da moeda americana um investimento menos atraente no curto prazo", afirma Uccelli.

À medida que os ventos se acalmam e a necessidade de se refugiar diminui, é provável que o valor do dólar se deprecie e o de suas alternativas consequentemente aprecie. Ouça a análise completa no áudio desta semana: "A força do dólar é sustentável?"

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