Imagine uma economia na qual todos os recursos são utilizados e depois reutilizados, em um ciclo fechado que resulta na Terra limpa. Algumas empresas já estão tornando isso possível!

Atualmente, o mundo opera em um modelo de "economia linear" que “pega as coisas”, gera resíduos e, claramente, não é sustentável.

A cada segundo, o equivalente a um caminhão de lixo de tecidos é descartado em aterros ou queimado, e o equivalente a seis caminhões de alimentos consumíveis é desperdiçado no mundo.1 Se continuarmos neste ritmo, até 2050 a demanda global por recursos vai quase triplicar, chegando a 130 bilhões de toneladas anualmente, o que iria exceder a capacidade do planeta em mais de 400%.2

Imagine esta alternativa: uma "economia circular" que cria, produz e usa os bens de modo que esses:

  • Não gerem lixo ou poluição na sua produção;
  • Mantenham-se úteis por mais tempo;
  • Sejam reciclados de maneira eficiente; e
  • Permitam que o ambiente natural se regenere.

Esse sistema de economia sustentável produziria enormes benefícios ambientais, sociais e econômicos no mundo todo. Um estudo estima que os benefícios da economia circular seriam:3

  • US$ 2 trilhões em faturamento anual dos EUA gerados pela produção circular;
  • US$ 7 bilhões em novas oportunidades de receitas para as cidades e para quem recicla a partir da reciclagem;
  • 250–350 milhões de toneladas métricas a menos de dióxido de carbono (CO2) no ar;
  • 80 milhões de toneladas de material recuperado a partir da reciclagem residencial de fluxo único; e
  • Mais 30 milhões de casas com acesso à reciclagem de maneira conveniente.

 

1 | Redefinir o que é lixo

Uma economia linear deixa um longo rastro de lixo, começando com subprodutos e emissões dos processos de fabricação, somados às embalagens de uso único e frequentemente terminando com produtos finais subutilizados, descartados em aterros.

A estratégia de economia circular busca eliminar o resíduo desde o início e criar "ciclos fechados" que mantêm os materiais dentro do sistema.

Esse sistema cíclico fechado utilizaria subprodutos como suprimentos e operaria com energia renovável e fontes a partir de materiais reciclados.4 Quanto mais curto ou estreito um ciclo, melhor, porque normalmente produziria maior economia ao reduzir custos como mão de obra e energia.

O lixo não tem a ver apenas com poluição e embalagens plásticas. A subutilização — de carros a roupas — é outro desperdício no atual modelo linear. Por exemplo, o carro médio europeu tem cinco assentos mas carrega em média menos de duas pessoas por viagem — e fica estacionado 92% do tempo.5

Numa economia circular, espera-se que muitas indústrias passem de um modelo onde são donas de ativos para um modelo de serviço/compartilhamento. Com automóveis, por exemplo, a mudança para o compartilhamento de caronas (que já acontece em algumas grandes cidades) poderia aumentar significativamente o uso eficiente dos recursos (precisam ser produzidos menos carros per capita, economizando matéria prima e combustíveis), ao mesmo tempo em que se reduz a poluição.

Estender a vida útil dos produtos também combate a subutilização. Nesse quesito, incentiva-se os produtores e consumidores a:

  • REPARAR E REFORMAR: o maior valor é criado quando encontramos formas de manter produtos, em vez de rapidamente descartá-los ou mesmo reciclá-los;
  • REUTILIZAR: especialistas veem o reuso e a redistribuição de produtos como a segunda melhor opção para se manter os produtos existentes; e
  • RECICLAR: investimentos em tecnologias e processos inovadores estão ajudando muitas empresas a incorporarem a reciclagem e os materiais reciclados em sua produção.

3 | Investir em uma economia circular

Os desafios de fazer a transição de uma economia linear para uma economia circular são muitos. Mas são muitas também as empresas e empreendedores inovadores, prontos para assumir esse desafio com novas tecnologias, produtos e modelos de negócios.

As oportunidades para investir em uma economia circular estão crescendo rapidamente conforme novas empresas, governos e consumidores estão motivados a encontrar novos modelos de negócios de economia circular, políticas e parceiros de consumo.

Caso esteja interessado em valores mobiliários, você pode investir em fundos com foco em soluções ambientais, ou estratégias de investimento que levam em consideração fatores ambientais e de sustentabilidade, sociais e de governança (ESG). Na renda fixa, você pode investir em títulos municipais que financiam infraestrutura para água, reciclagem e lixo, assim como títulos verdes que apoiam projetos relativos à sustentabilidade.

No setor privado, o venture capital ajuda a financiar empresas em estágio inicial que estão desenvolvendo tecnologias ou serviços inovadores para desenvolver os princípios de uma economia circular. O financiamento por capital privado é fundamental quando as empresas amadurecem do empreendedorismo inicial, e precisam escalar suas ofertas de produtos e serviços.

4 | Encontre inovadores

As oportunidades de investimento em economia circular podem ser encontradas em quase todas as indústrias, produtos e setores. Considere, por exemplo, as indústrias da moda, de plásticos, e o setor público.

 

FAST FASHION, MAS NEM TANTO
 

Mais de US$ 500 bilhões em valor são perdidos todos os anos pelo fato de as roupas serem subutilizadas e depois não serem recicladas. A poluição também é um problema grave na indústria têxtil. Em 2015, as emissões de gases de efeito estufa da produção de têxteis totalizou 1,2 bilhões de toneladas de equivalente de CO2 , mais do que foi emitido por todos os voos internacionais e transporte marítimo combinados. Além disso, cerca de meio milhão de toneladas por ano de microfibras de plástico são destruídas durante a lavagem de têxteis baseados em plástico, tais como poliéster, náilon e acrílico, e acabam indo parar nos oceanos, de acordo com algumas estimativas.6

O benefício geral para a economia mundial seria de cerca de US$ 180 bilhões (em torno de 160 bilhões de euros) em 2030 caso a indústria da moda tome medidas como conversão para uma mistura sustentável de materiais, eliminação de produtos químicos danosos, redução no uso da água e aumento dos níveis de transparência e rastreabilidade. Caso isso não aconteça, até 2030, as marcas de moda poderão ver um declínio de mais de três pontos percentuais em seus lucros antes dos juros e tributos (EBIT) .7

Os inovadores já estão encontrando formas de reduzir o lixo e a pegada ambiental da indústria ao:

  • Aumentar a durabilidade das roupas e a possibilidade de reformá-las;
  • Criar mercados secundários para roupas usadas;
  • Reduzir os recursos utilizados no processo de produção, incluindo matérias-primas e também água e energia; e
  • Focar na rastreabilidade de materiais, para que possam atender a padrões de reciclagem.

 

PLÁSTICO REIMAGINADO
 

Do mesmo modo, muita atenção tem sido dada ao redesign da indústria de plástico. Empresas globais, de varejistas a fabricantes de plástico, estão definindo grandes objetivos para a reciclagem de plástico, uso de conteúdo reciclado e reciclável e recuperação pós-consumo.

As novas demandas para plástico reciclado podem chegar a de 5 a 7,5 milhões de toneladas métricas até 2030. Caso as tecnologias de reciclagem de plástico consigam atingir as demandas do mercado, há oportunidades potenciais de lucro de US$ 120 bilhões, somente nos Estados Unidos e Canadá.

O reuso também será essencial para cumprir o desafio de reduzir as embalagens de uso único. Somente 14% das embalagens plásticas são coletadas para reciclagem, e apenas 2% disso é reciclado de modo a se ter uma qualidade similar. Após um curto ciclo de primeiro uso, 95% do valor material das embalagens plásticas (cerca de US$ 80 a 120 bilhões anualmente) é perdido.8 Substituir apenas 20% das embalagens plásticas de uso único com alternativas reutilizáveis, como embalagens luxuosas de longo uso e reutilizáveis, oferecem uma oportunidade com valor de ao menos US$ 10 bilhões.9

 

CIDADE CIRCULAR
 

As cidades ocupam apenas 1% da superfície da Terra, mas são responsáveis por 75% do consumo de recursos naturais, 50% do desperdício global e de 60 a 80% das emissões de gases do efeito estufa.10Até 2050, mais de 70% das pessoas estarão vivendo nas cidades.11

 

Algumas formas como as cidades podem melhorar sua eficiência e qualidade de vida:

  • Reduzir a necessidade de veículos (e incentivar a mudança para veículos elétricos) ao melhorar o transporte público e a infraestrutura para bicicletas e outros meios de transporte não poluentes;
  • Exigir que construções sejam planejadas para um uso mais eficiente dos recursos e da energia, incluindo a possibilidade de gerarem a própria energia. Processos industriais e modulares podem reduzir os custos de construção em 50%, em comparação à construção tradicional. Casas passivas, que são planejadas intencionalmente para minimizar significativamente as necessidades de aquecimento e resfriamento, podem reduzir o consumo de energia em 90%.12;
  • Utilizar energia renovável, incluindo bioenergia de alimentos reciclados e outros resíduos urbanos orgânicos. Um estudo recente sobre resíduos orgânicos em Amsterdã constatou que utilizar biorrefinarias, separação de resíduos e logística reversa pode levar a um valor agregado de 150 milhões de euros, assim como 900 mil toneladas de economia de materiais e uma redução de 600 mil toneladas nas emissões anuais de CO2 13;
  • Melhorar os sistemas de conservação e tratamento de água. A recuperação de energia no setor de efluentes pode compensar a energia necessária para o tratamento desses: Uma planta na Dinamarca produz mais eletricidade do que precisa para suas operações e se tornou uma exportadora líquida de energia14;


Em Milão, na Itália, por exemplo, os caminhões municipais (muitos movidos a biodiesel) agora coletam sobras de comida de domicílios, instalações comerciais e escolas, e os transportam para uma planta de "digestão e composição anaeróbica". Uma vez processado, o biogás é injetado na rede local de gás e o composto é utilizado para adubar propriedades rurais no entorno da cidade.

Milão está fechando o ciclo do desperdício de alimentos!

Ellen Macarthur Foundation, 2019. 

Podemos ajudar

 

Converse com o seu representante do J.P. Morgan para encontrar as oportunidades de investimento circular que atendem aos seus objetivos.

 

 

1 “What is the circular economy?,” Ellen MacArthur Foundation, 2017.

2 Peter Lacy, Justin Keeble, Robert McNamara, et al, “Circular Advantage—Innovative Business Models and Technologies to Create Value in a World without Limits to Growth,” Accenture Strategy, Maio 2015.

3 Capital landscape for investment in circular supply chains, Closed Loop Partners and Closed Loop Foundation, 2017.

4 “What is the circular economy?,” Ellen MacArthur Foundation, 2017.

5 “Growth Within: A Circular Economy Vision of a Competitive Europe," Ellen MacArthur Foundation; Stiftungsfonds für Umweltökonomie und Nachhaltigkeit (SUN); Deutsche Post Foundation; McKinsey Center for Business and Environment, 2015.

6 "A New Textiles Economy: Redesigning Fashion’s Future,” Ellen MacArthur Foundation, 2019.

7 “Pulse of the fashion industry,” Global Fashion Agenda and Boston Consulting Group, 2017. 

8 “Harnessing the Fourth Industrial Revolution for the Circular Economy Consumer Electronics and Plastics Packaging and the New Plastics Economy: Rethinking the Future of Plastics & Catalysing Action,” Ellen MacArthur Foundation, 2019.

9 “Reuse Rethinking Packaging,” Ellen MacArthur Foundation, 2019.

10 “Circular Economy in Cities: Project Guide,” Ellen MacArthur Foundation, 2019.

11 “Urban Biocycles,” Ellen MacArthur Foundation, Março 2017.

12 “Europe’s circular-economy opportunity,” McKinsey Center for Business and Environment, Setembro 2015.

13  “Urban Biocycles,” Ellen MacArthur Foundation, Março 2017.

14 Ibid.