Estratégia de investimento
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A América Latina enfrenta um paradoxo em seu desenvolvimento. Apesar de décadas de avanços na gestão macroeconômica — controle da inflação, estabilização da dívida e maior abertura comercial — muitos países ainda apresentam crescimento limitado e baixos níveis de investimento. Entre os fatores mais evidentes que travam esse progresso, destaca-se a insegurança (em sentido amplo), que funciona como um imposto oculto sobre a atividade econômica e a confiança nas instituições.
A insegurança na América Latina vai muito além dos índices de homicídio que costumam dominar as manchetes. Trata-se de uma ameaça sistêmica e multidimensional, que engloba o crime organizado — tráfico de drogas, extorsão, sequestros, tráfico de pessoas, mineração ilegal —, a violência política praticada por atores não estatais e o rápido crescimento de crimes econômicos, como fraudes cibernéticas e grandes roubos de mercadorias. Reflete também profundas fragilidades institucionais e altos níveis de impunidade, sustentados por sistemas judiciais corruptos ou cooptados, fronteiras vulneráveis, redes de lavagem de dinheiro e forças policiais e judiciais com recursos insuficientes.
A insegurança persistente eleva os custos operacionais das empresas, aumenta os prêmios de risco para investimentos e deteriora tanto o capital humano quanto o físico. O resultado é um obstáculo constante que limita a capacidade da região de fechar sua lacuna de desenvolvimento e, na prática, age como um imposto recorrente sobre o empreendedorismo, a produtividade e a formação de capital.
O problema tem alcance global. O Institute for Economics & Peace (IEP) estima que, em 2024, o custo econômico da violência no mundo chegou a US$ 19,97 trilhões em termos de paridade de poder de compra. Esse valor equivale a 11,6% do PIB global ou US$ 2.455 por pessoa. Além disso, no último ano, esse custo aumentou 3,8%1.
A dimensão do problema é especialmente evidente na América Latina e Caribe. Embora a região represente apenas 8% da população mundial, concentra cerca de um terço das mortes violentas. Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), a taxa média de homicídios é 10 vezes maior que a de outros mercados emergentes e economias em desenvolvimento, e o dobro da África Subsaariana. Além disso, quase metade dos crimes está ligada a redes de crime organizado, contra 22% no mundo, evidenciando que grande parte da violência na região decorre de dinâmicas econômicas e criminosas, e não apenas de conflitos interpessoais2.
As raízes da insegurança na América Latina estão profundamente ligadas à trajetória política, social e econômica marcada por grandes desigualdades. Ao longo do século XX, golpes de Estado, insurgências e repressão de diferentes regimes deixaram marcas institucionais duradouras. A persistente desigualdade, a presença estatal limitada em vastas áreas rurais e a continuidade de estruturas econômicas informais e excludentes criaram terreno fértil para a expansão e consolidação tanto da violência política quanto do crime organizado.
Diversos movimentos insurgentes, surgidos com motivações ideológicas durante a Guerra Fria, acabaram migrando para o tráfico de drogas, extorsão e contrabando, borrando a fronteira entre insurgência política e crime organizado. Estudos sobre desenvolvimento na América Latina associam essas transformações a padrões históricos enraizados desde a época colonial: estruturas sociais excludentes, fragilidade do Estado de direito e instituições vulneráveis. A impunidade, somada a contrastes socioeconômicos profundos, permitiu que grupos armados capturassem segmentos do Estado, consolidando um equilíbrio que se retroalimenta e condiciona tanto a estabilidade política quanto os incentivos econômicos.
Na década de 1990 e nos primeiros anos dos 2000, redes criminosas transnacionais já haviam se consolidado como principais motores da violência letal. A Colômbia tornou-se o caso mais extremo: no início dos anos 1990, a taxa de homicídios chegou a cerca de 75 por 100 mil habitantes, impulsionada por guerras entre cartéis e conflitos insurgentes. Três décadas depois, após acordos de paz e profundas reformas nas forças de segurança, esse número caiu para cerca de 25 por 100 mil habitantes (2024)3,4, um dos maiores recuos da região.
O México, por outro lado, seguiu trajetória oposta. A “guerra contra o narcotráfico”, iniciada em 2006, fragmentou grandes cartéis e desencadeou disputas territoriais, extorsões e grandes roubos de carga. A taxa de homicídios passou de oito por 100 mil habitantes em 2007 para quase 29 em 2018, mantendo-se próxima de 25 em 2023. Em 2024, 11 cidades mexicanas figuravam entre as 50 mais violentas do mundo5.
Essa dinâmica transformou as rotas regionais de tráfico e logística. A fragmentação dos cartéis deslocou parte do comércio ilícito — cocaína, armas e contrabando — para corredores mais frágeis da América Central, onde o controle estatal é limitado. Isso aumentou consideravelmente os custos operacionais do setor privado, que precisou reforçar medidas de proteção e segurança.
No entanto, a América Central mostrou que ciclos de violência podem ser revertidos. Em 2014, San Pedro Sula (Honduras) era a cidade mais perigosa do mundo, com 142 assassinatos por 100 mil habitantes. Em 2023, uma combinação de operações mais rigorosas e programas comunitários reduziu esse número para menos de 26. O caso de El Salvador é ainda mais drástico. Antes associado à violência das gangues, em 2024 o país registrou apenas 114 mortes violentas, uma taxa de 1,9 por 100 mil habitantes6, a mais baixa do hemisfério. Contudo, essa queda teve alto custo institucional sob um regime extraordinário que durou mais de dois anos. Após um aumento nos homicídios, em março de 2022 o governo decretou estado de exceção, prorrogado até 2024. A medida deu amplos poderes às autoridades para suspender liberdades civis, deter pessoas sem ordem judicial e limitar a supervisão dos tribunais. Isso permitiu uma ofensiva massiva contra as gangues (mais de 78 mil detenções até meados de 2024), mas também enfraqueceu as garantias do devido processo, impulsionou a militarização da segurança pública e gerou denúncias de prisões arbitrárias e superlotação carcerária. Embora hoje a população viva em condições muito mais seguras, aumentaram as preocupações sobre o equilíbrio democrático e a erosão dos freios institucionais.
O Brasil, por sua vez, reduziu de forma consistente sua taxa nacional de homicídios: de mais de 30 por 100 mil habitantes em 2017 para cerca de 21 em 20247, o menor nível em uma década. Apesar do avanço, áreas amazônicas e fronteiriças ainda concentram focos críticos de violência. Atualmente, 13 cidades brasileiras figuram entre as 50 mais perigosas do mundo, cinco delas entre as 30 primeiras.
Em contraste, outros países registraram deterioração acentuada. Em meio ao colapso institucional, a violência na Venezuela atingiu seu ápice e, em 2016, cerca de uma dúzia de cidades estavam entre as 50 mais letais do mundo. Em 2023, apenas Caracas permanecia na lista. O Equador, antes um dos países mais seguros da América do Sul, viu os homicídios saltarem de 5,7 por 100 mil habitantes em 2018 para 45 em 20238, impulsionados por disputas entre gangues pelo controle de novos corredores de tráfico. Essa escalada resultou em massacres carcerários e em uma tomada de reféns transmitida ao vivo pela TV.
No outro extremo, vários países da América do Sul mantiveram taxas relativamente baixas de homicídios, tornando-se exceções no cenário regional. Em 2023, Chile, Uruguai, Argentina, Paraguai e Peru registraram taxas de um dígito, bem abaixo da média latino-americana e longe dos níveis observados no México, Brasil ou América Central.
Essa estabilidade decorre de trajetórias históricas e institucionais específicas. Esses países passaram por menos insurgências prolongadas, ficaram fora dos principais corredores de tráfico do norte e, desde suas transições democráticas, consolidaram forças policiais e sistemas judiciais mais profissionalizados. No Uruguai, um Estado de direito sólido e um modelo de bem-estar robusto reforçaram a coesão social. Chile e Argentina, por sua vez, se beneficiam de economias diversificadas e classes médias coesas, que reduzem o espaço para o crime organizado. O Peru, embora enfrente mineração ilegal e cultivo de coca em áreas remotas, evitou uma fragmentação criminosa em larga escala.
No conjunto, esses casos mostram que a insegurança na América Latina não é uniforme: países com instituições mais fortes, menor corrupção e exposição periférica às redes de tráfico transnacional conseguiram conter a violência com mais eficácia e preservar um ambiente mais estável para investimentos e governança.
Ao mesmo tempo, o crescimento dos crimes facilitados por tecnologias digitais adicionou uma dimensão menos visível ao cenário de segurança regional. A América Latina tornou-se um dos principais alvos para fraudes financeiras e ataques de malware. Na última década, esse fenômeno cresceu a uma média de 25% ao ano9, enquanto grupos criminosos recorrem a criptomoedas para movimentar e ocultar ganhos.
Diversos episódios recentes ilustram essa tendência. Cartéis mexicanos foram ligados a fluxos ilícitos de Bitcoin e, segundo a Associated Press, em 2024 uma quadrilha instalou sua própria rede de antenas em Michoacán para extorquir moradores, obrigando-os a pagar pelo acesso ao Wi-Fi sob ameaça de morte. Um dado especialmente revelador: o Brasil registra volume de extorsões e ataques de malware equivalente ao dos cinco países latino-americanos seguintes somados (México, Argentina, Peru, Colômbia e Chile).
Nenhum país está totalmente seguro. A violência na América Latina segue sendo um fenômeno mutável e adaptável, que se desloca conforme os mercados de drogas, a tecnologia e as oportunidades disponíveis. A transição das insurgências ideológicas para o crime organizado, e agora para redes criminosas digitais, revela uma verdade central: a insegurança não é um episódio passageiro, mas uma condição estrutural que desgasta continuamente o investimento, a produtividade e o potencial de crescimento de longo prazo.
O custo da insegurança na América Latina vai muito além do impacto social e se traduz em perdas econômicas expressivas, diretas e indiretas. Entre as diretas estão o roubo, a extorsão, a perda de cargas, pagamentos de resgate e aumento dos prêmios de seguro. Os efeitos indiretos (menor investimento, produtividade mais fraca, encarecimento das cadeias de suprimentos e maiores taxas de financiamento) são ainda mais significativos.
Segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o crime e a violência equivalem a cerca de 3,44% do PIB da América Latina e Caribe, valor semelhante a 80% do gasto público regional em educação, ao dobro do orçamento de assistência social e 12 vezes os fundos destinados à pesquisa e desenvolvimento. Cerca de 47% desse montante vem do que o setor privado investe em proteção e prevenção10, já que empresas pagam taxas de segurança, absorvem perdas por roubos e mantêm sistemas caros de vigilância e seguros. Esses custos reduzem margens de rentabilidade, travam investimentos e, muitas vezes, obrigam a repassar custos aos consumidores, adiar planos de expansão ou até abandonar mercados de maior risco.
Diferente de outras regiões, onde o gasto militar concentra a maior parte dos custos ligados à violência, na América do Sul o maior peso vem do crime comum, homicídios e da necessidade de reforçar a segurança interna e privada. Quase metade do impacto econômico associado à violência vem dessas áreas, enquanto o gasto militar representa proporção bem menor.
Para empresas que atuam em ambientes de alto risco, a insegurança se traduz diretamente em perdas financeiras e decisões de investimento menos eficientes. Além da violência física, crimes cibernéticos, fraudes e exigências regulatórias crescentes tornaram-se componentes centrais dos orçamentos corporativos de segurança. Segundo o Banco Mundial, o custo médio de um ataque cibernético na América Latina chegou a US$ 3,69 milhões em 2023, um aumento de um terço em relação aos US$ 2,8 milhões de 2017.
De acordo com a Associação Econômica Internacional (IEA), o crime impõe uma carga econômica significativa à região e afeta múltiplos setores e áreas da sociedade. Empresas são obrigadas a destinar parcela considerável de seus recursos (cerca de 1,6% do PIB) à segurança, o que desestimula o empreendedorismo e a inovação. Os custos diretos e indiretos da aplicação da lei, incluindo operações policiais, sistemas judiciais e presídios, somam 1,08% do PIB. Esses gastos não se limitam à infraestrutura: o impacto de longo prazo do encarceramento também reduz a produtividade, e seus efeitos podem se estender por gerações. Só os homicídios provocam queda de 0,45% do PIB, com o Caribe sendo a região de maiores perdas, 0,71%.
A pressão financeira também atinge os orçamentos públicos, já que quase 1,9% do PIB é destinado à segurança e justiça, praticamente o dobro do observado em economias comparáveis. Essa alta alocação de recursos para prevenção e resposta ao crime costuma tirar financiamento de áreas críticas como educação e infraestrutura.
As consequências mais amplas das altas taxas de criminalidade são profundas. Investidores estrangeiros (especialmente em setores essenciais como agricultura e finanças) mostram resistência em entrar nesses mercados. Além disso, o aumento da insegurança eleva a saída de mulheres da força de trabalho, aprofundando desigualdades de gênero já existentes. No fim das contas, os custos econômicos e sociais do crime vão muito além dos números visíveis, enfraquecendo a estabilidade fiscal e as perspectivas de desenvolvimento de longo prazo para a região.
Por outro lado, os resultados educacionais também pioram, pois escolas em áreas de alta criminalidade têm dificuldade para manter a frequência e oferecer ensino de qualidade. A confiança (infraestrutura invisível que sustenta uma economia funcional) se enfraquece, tanto nas instituições quanto entre cidadãos. Até o meio ambiente é afetado, já que a exploração de recursos naturais e a degradação de ecossistemas por organizações criminosas avançam sem controle.
O BID estima que a perda de capital humano por mortes prematuras, lesões e encarceramentos representa cerca de 22% do custo econômico total do crime na América Latina e Caribe. Em 2023, instituições financeiras da região destinaram cerca de US$ 15 bilhões a sistemas de compliance e prevenção à lavagem de dinheiro para reduzir riscos ligados ao crime financeiro11. Essas perdas no setor empresarial se traduzem em menores gastos de capital e crescimento mais lento do emprego formal. A criminalidade também enfraquece a demanda por investimentos, pois tanto empresários locais quanto investidores estrangeiros tendem a evitar mercados mais voláteis.
Evidências econométricas mostram que aumentos na violência estão associados à saída de capital e paralisação de projetos. Pesquisas do FMI indicam que uma recessão na América Latina e Caribe costuma resultar em aumento de 6% nos homicídios no ano seguinte, e que episódios de inflação acima de 10% podem elevar a violência em cerca de 10%. Por outro lado, políticas estáveis, programas sociais sólidos, gestão econômica responsável, inflação baixa, redes de proteção social, emprego de qualidade e educação atuam como fatores que previnem o avanço do crime.
Cada homicídio ou lesão incapacitante elimina mão de obra produtiva e talento empreendedor, enquanto o medo e a migração reduzem o número de trabalhadores qualificados. Soma-se a isso a intensificação da “fuga de talentos”: em 2024, vários países da região registraram pontuações elevadas no Índice de Fuga e Perda de Capital Humano (HFBDI), uma métrica do Índice de Estados Frágeis que reflete a emigração persistente de profissionais e empreendedores. Essa erosão do capital humano limita a inovação, enfraquece a base do setor formal e aumenta a dependência de atividades econômicas de menor valor, favorecendo a expansão do crime organizado.
Os dados macroeconômicos ilustram esse efeito de forma contundente. O FMI aponta que um aumento de 30% na taxa de homicídios (equivalente a um desvio padrão histórico) na América Latina reduz o crescimento econômico em 0,14 ponto percentual. Mesmo um aumento de 10% provoca queda próxima de 4% na atividade econômica local. A percepção do crime também impacta o desempenho produtivo: um aumento de 10% na proporção de notícias sobre criminalidade está associado a uma contração de 2,5% na produção industrial. No conjunto, esses dados indicam que fechar a lacuna entre os níveis de violência da região e a média mundial poderia elevar o crescimento anual em até 0,5 ponto percentual12, 13.
Por exemplo, o impacto econômico da violência no México é expressivo. Segundo o IEP, em 2024 chegou a 4,5 trilhões de pesos (cerca de US$ 225 bilhões), equivalentes a 20,8% do PIB14. No Brasil, a estimativa para 2023 é de US$ 474 bilhões, representando 11,08% do PIB15. No Chile, estudo do Centro Latinoamericano de Políticas Econômicas e Sociais da Universidade Católica (CLAPES UC) em 2025 calculou perdas anuais próximas de 2,6% do PIB, ou cerca de US$ 8,2 bilhões16, impulsionadas por fechamentos antecipados de negócios e menor atividade dos consumidores. Esses números refletem o impacto econômico completo da insegurança, que inclui queda de produtividade, perdas de bem-estar associadas ao medo e custo de oportunidade do gasto público e privado em segurança.
A insegurança persistente também pode minar a confiança dos investidores e elevar indiretamente os custos de endividamento, ao afetar percepções sobre a força institucional e a estabilidade política. Embora os diferenciais de risco soberano na América Latina dependam principalmente dos fundamentos fiscais, das condições externas de financiamento e da credibilidade das políticas, episódios de violência ou deterioração da governança podem amplificar esses riscos. Segundo a Capital Economics (2024), os níveis atuais de criminalidade reduzem cerca de 0,25 ponto percentual do crescimento anual do PIB regional.
A insegurança não é uma externalidade social que possa ser ignorada; é um fator de risco sistêmico que eleva os custos esperados e reduz as taxas de retorno. Isso se reflete em prêmios de seguro e orçamentos de segurança mais altos, desvio de cadeias de suprimentos, menor investimento de capital nas áreas afetadas e, em última análise, uma lacuna persistente entre o PIB observado e o potencial em muitos países da região.
Como exposto anteriormente, vários países da América Latina conseguiram reduzir significativamente as taxas de homicídio na última década, embora o progresso tenha sido desigual e algumas nações ainda enfrentem aumento da violência, mesmo com a adoção de medidas emergenciais. Esse cenário heterogêneo ressalta a importância de combinar aplicação da lei com reformas institucionais e investimentos sociais contínuos para garantir melhorias duradouras em segurança.
Os formuladores de políticas públicas e as empresas não estão parados. As respostas da região mostram que é possível mitigar riscos e, em alguns casos, transformá-los em oportunidades para fortalecer instituições e modernizar a economia. Os governos estão ajustando marcos regulatórios (especialmente leis contra lavagem de dinheiro, recuperação de bens de origem ilícita e formalização das cadeias de suprimentos), ao mesmo tempo em que ampliam programas sociais focados e estratégias de policiamento comunitário para restabelecer a presença do Estado em territórios frágeis.
Ao mesmo tempo, avançam as parcerias público-privadas voltadas para melhorar logística, vigilância digital e prestação de serviços, apoiadas por plataformas do BID e da Corporação Financeira Internacional (IFC), que financiam corredores seguros de transporte e infraestrutura crítica.
Para fortalecer a cooperação regional, o BID se uniu a 18 países para lançar a Aliança para Segurança, Justiça e Desenvolvimento. Essa iniciativa permitirá que governos desenhem políticas de combate ao crime baseadas em evidências e coordenem sua implementação. Entre as 11 organizações que aderiram ao esforço estão o Banco Mundial, a Interpol e a Organização dos Estados Americanos (OEA).
A expressiva redução dos homicídios em El Salvador é um exemplo controverso, mas ilustrativo, de que uma ação coercitiva contundente pode gerar quedas rápidas na criminalidade. Ainda assim, o BID, o FMI e o Banco Mundial recomendam que os governos acompanhem esses avanços com instituições mais sólidas e investimentos sociais contínuos, para garantir que os resultados sejam sustentáveis.
No setor empresarial, surgem novos segmentos ligados à conformidade regulatória, logística segura, pagamentos digitais, cibersegurança e resiliência operacional. Essa dinâmica impulsionou a formação de um mercado regional que inclui armazéns com proteção contra adulteração e sistemas de análise de risco em rotas. Estimativas recentes indicam que apenas o segmento de segurança nas cadeias de suprimentos gerou cerca de US$ 267 milhões em receitas na América Latina em 2023, podendo crescer a uma taxa próxima de 12% ao ano até 203017, impulsionado pela forte demanda de exportadores, operadores logísticos e fabricantes que buscam reduzir riscos de roubo, sequestro de carga e extorsão.
De forma semelhante, o setor de tecnologias de conformidade regulatória (voltadas para facilitar supervisão, auditoria e gestão de riscos) na América Latina, avaliado em cerca de US$ 1,2 bilhão em 2024, pode superar US$ 3 bilhões até 2029. Esse crescimento reflete a maior demanda por soluções que reduzam riscos de lavagem de dinheiro, verificação de identidade e fraude18. Fornecedores de serviços de segurança e gestão de riscos estão ampliando sua presença na região, enquanto a expansão das fintechs e dos pagamentos digitais mais que dobrou o volume de transações desde 2019, reduzindo a extorsão baseada em dinheiro vivo e ampliando a inclusão financeira.
As empresas também estão reconfigurando suas cadeias de suprimentos para fortalecer a resiliência por meio de estratégias de nearshoring, investimentos em sistemas de identidade digital e desenvolvimento de fornecedores locais que reduzam a exposição a redes informais. Essas medidas não só mitigam riscos operacionais, como também posicionam quem se antecipa para aproveitar um ambiente institucional mais sólido e uma redução dos prêmios de risco.
Além disso, estima-se que o setor de cibersegurança na América Latina crescerá cerca de 14% ao ano até 2030, à medida que as principais empresas globais do setor ampliam sua presença na região.
A região está entrando em uma fase em que a melhora da estabilidade macroeconômica, a reconfiguração global das cadeias de suprimentos e a redução da criminalidade podem convergir. Em 2024, os fluxos de investimento estrangeiro direto atingiram US$ 188,962 bilhões, um aumento de 7,1% em relação a 202319, enquanto o BID estima que o nearshoring pode adicionar até US$ 78 bilhões em exportações anuais no curto e médio prazo20. A inflação segue em queda, os déficits fiscais diminuem e as carteiras de investimento digital e verde continuam crescendo.
Se os formuladores de políticas públicas transformarem os avanços recentes em segurança em instituições mais sólidas e as empresas continuarem incorporando governança, tecnologia e desenvolvimento de capital humano em suas estratégias, a região poderá deixar para trás o custo da insegurança e começar a capturar os benefícios da reforma.
A América Latina não é um ator periférico na economia global, mas uma peça central. Está entre os principais exportadores de alimentos, energia e minerais críticos, e possui uma biodiversidade única e enorme potencial de energia limpa. À medida que as cadeias de suprimentos se reconfiguram e as empresas buscam centros de produção seguros, eficientes em custos e alinhados geopoliticamente, a região caminha para uma ascensão estratégica.
A história já não gira apenas em torno do custo da insegurança, mas do valor da estabilidade. A convergência entre maior segurança, transformação digital e avanço do nearshoring oferece à América Latina um caminho realista para se tornar uma das principais beneficiárias do atual reajuste econômico global — não porque seus desafios desapareceram, mas porque começou a enfrentá-los com mais determinação. Em um mundo que busca resiliência, diversificação e segurança no acesso a recursos, a região não está mais à margem do cenário global, mas sim em uma de suas fronteiras estratégicas.
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