Estratégia de investimento
1 minuto de leitura
Os mercados privados da América Latina estão em um ponto de inflexão, impulsionados por mudanças estruturais e novas oportunidades. A narrativa já não se limita à extração de recursos, mas sim à convergência entre capital, inovação e capacidade local como motores de novas fontes de crescimento.
Este momento é especialmente relevante porque os grandes vetores que moldam o cenário global de investimentos — inteligência artificial (IA), transição energética e busca por maior resiliência nos portfólios — ganham força nos mercados privados latino-americanos. Uma nova onda de disrupção liderada pela IA está prestes a acontecer, onde o próximo salto de crescimento depende de desbloquear gargalos estruturais em energia, capacidade elétrica e infraestrutura digital, ao mesmo tempo em que se gera valor real por meio da integração de aplicações avançadas.
Paralelamente, a transição energética segue acelerada, com fluxos de capital direcionados para energias renováveis, modernização de redes e eficiência no uso de recursos. Essas dinâmicas são especialmente relevantes para a América Latina, onde a diversificação setorial, o crescimento do capital local e um enfoque mais sofisticado na geração de valor estão redefinindo o panorama do capital privado.
Embora as commodities continuem sendo um pilar da economia da região, o capital privado — participações diretas em empresas que não estão listadas em bolsas de valores — representa outro segmento relevante no cenário de investimentos. Os ativos alternativos costumam fazer parte das discussões sobre a construção de portfólios, juntamente com as classes de ativos tradicionais.
O enfoque tradicional de diversificação é menos eficaz em um ambiente marcado por alta concentração de mercado, spreads de crédito ajustados e riscos macroeconômicos em constante mudança. Nesse contexto, vemos o capital privado como motor de retornos diferenciados e inovação, sustentado por forte crescimento dos lucros, aumento das fusões e aquisições e renovado foco em melhorias operacionais.
A evolução da América Latina segue a tendência global de mercados privados mais robustos. As empresas permanecem privadas por mais tempo e grande parte da geração de valor ocorre antes de chegarem ao mercado público.
Um sinal claro dessa mudança é a maior idade das empresas ao abrirem capital. Hoje, a mediana das empresas de tecnologia em sua Oferta Pública Inicial (IPO) gira em torno de 14–15 anos, contra 6–8 anos nos anos 90. Isso mostra que o processo de maturação, desenvolvimento operacional e aprimoramento do modelo de negócios ocorre principalmente no ambiente privado.
Para os investidores, a implicação é direta: se as empresas acessam o mercado público em estágios mais avançados, grande parte do valor já foi gerada no mercado privado. Acessar o crescimento de longo prazo, especialmente em setores de rápida evolução tecnológica, exige cada vez mais exposição aos mercados privados. Essa dinâmica é global, mas na América Latina tem relevância especial.
Os mercados públicos de ações são pouco profundos e com representação setorial limitada, o que restringe o acesso a segmentos dinâmicos da economia. O capital privado permite investir em estágios iniciais, influenciar a governança e capturar valor que pode não se materializar nos mercados públicos. Na região, a alta prevalência de empresas familiares reforça essa tendência: o capital privado apoia a profissionalização, o planejamento sucessório e a expansão regional. Em conjunto, esses fatores posicionam o capital privado como motor-chave de geração de valor em um ambiente corporativo em transformação.
As commodities continuam sendo um pilar fundamental da economia latino-americana. Mineração, agricultura e energia seguem atraindo capital privado, especialmente em países como Brasil, Chile e Peru, que têm sido beneficiados por dinâmicas globais como demanda sustentada por minerais críticos, segurança alimentar e outros insumos ligados à transição energética.
Esses setores oferecem relevante visibilidade de lucros e proteção contra quedas, baseada em ativos — atributos altamente valorizados pelos investidores. No entanto, a oportunidade em capital privado na América Latina já não se define apenas pelos recursos naturais. O que mudou foi a amplitude dos setores investíveis e a natureza da geração de valor. Cada vez mais, o foco está em empresas na interseção entre crescimento da demanda interna, adoção tecnológica e ineficiências operacionais, áreas onde a propriedade ativa pode transformar significativamente os resultados. Essa mudança reflete um reconhecimento mais amplo dos investidores de que, embora as commodities continuem ancorando a região, o crescimento estrutural vem cada vez mais de serviços, tecnologia e infraestrutura ligada a ganhos de produtividade — e não apenas da extração.
As empresas de tecnologia se consolidaram como motores-chave do capital privado e de risco na América Latina, com os serviços financeiros no centro dessa transformação.
O setor de fintech se destaca não só pela inovação, mas por estar na interseção de alta demanda reprimida, rápida adoção digital e modelos de negócios escaláveis. Por anos, o acesso limitado a bancos e crédito freou o consumo, a criação de empresas e a produtividade. Hoje, essa lacuna está se fechando rapidamente: mais de 70% da população participa do sistema financeiro formal, contra 50% em 2017, impulsionado pelo crescimento de carteiras digitais, neobancos e plataformas de crédito alternativo. A penetração de smartphones e o acesso à internet permitiram que os serviços financeiros superassem a infraestrutura tradicional, reduzindo custos, ampliando cobertura e transformando os canais de distribuição. Sob a ótica de investimento, essa evolução é fundamental. Muitas plataformas são desenvolvidas sobre arquiteturas modernas e nativas em nuvem, facilitando a iteração de produtos, originação baseada em dados e venda cruzada entre pagamentos, crédito, poupança e seguros.
Esses fatores melhoram a rentabilidade e a alavancagem operacional à medida que crescem. Os investimentos confirmam: tecnologia da informação e serviços financeiros concentram a maior parte do capital de risco nos principais mercados da região. Em 2025, TI liderou no Brasil, Chile e Argentina, enquanto os serviços financeiros dominaram no México e Colômbia, mostrando a amplitude e profundidade das oportunidades digitais. Embora consumo e saúde continuem atraindo capital, o foco está em plataformas digitais e financeiras, que se beneficiam de efeitos de rede, uso de dados e altas margens incrementais. Para o capital privado, isso se traduz em maior interesse por plataformas tecnológicas e fintechs mais consolidadas, com bases de clientes robustas, desempenho unitário sólido e trajetórias claras para a rentabilidade. Muitas operam em ecossistemas fragmentados, o que abre oportunidades para consolidação, otimização e expansão regional.
Com marcos regulatórios mais sólidos, mercados de capitais mais profundos e adoção digital crescente, o capital privado está bem posicionado para liderar a próxima geração de empresas financeiras e impulsionar a produtividade e a transformação econômica na América Latina.
A América Latina está entrando em uma fase decisiva para energia e infraestrutura, onde suas vantagens naturais e necessidades urgentes formam uma narrativa de investimento sólida. A região concentra cerca de metade das reservas mundiais de lítio, mais de um terço do cobre e da prata, e ativos relevantes em petróleo. Destaca-se também pela matriz energética: aproximadamente 60% da eletricidade vem de fontes renováveis, graças à abundância de energia hidrelétrica, solar e eólica. No entanto, grande parte da infraestrutura energética está obsoleta e as perdas na transmissão e distribuição superam as de mercados mais avançados. Muitas redes elétricas foram projetadas para outro contexto e hoje enfrentam desafios para se adaptar a tecnologias como geração solar distribuída, armazenamento em baterias e veículos elétricos.
Além disso, monopólios públicos e regulação lenta costumam atrasar investimentos essenciais para modernizar a infraestrutura e liberar seu potencial. Essa diferença entre potencial e realidade é onde surge a oportunidade para investidores. À medida que as cidades crescem e as indústrias se digitalizam, a demanda por infraestrutura moderna e confiável aumenta. Nesse cenário, o capital privado e internacional desempenha papel fundamental para fechar essa lacuna. Já há projetos de grande porte em andamento: é o caso do gasoduto de Vaca Muerta na Argentina, melhorias em redes elétricas e energias renováveis na Colômbia, e nova infraestrutura de gás no México e Guiana. Parceiros internacionais também são essenciais.
Em 2025, a agência japonesa JICA comprometeu um bilhão de dólares ao BID Invest para impulsionar investimentos privados e reduzir a lacuna de financiamento para o desenvolvimento sustentável na região. Esses esforços vão além da construção de novos ativos: buscam estabelecer as bases para a próxima etapa de crescimento e inovação. Com a transição energética acelerando, o capital privado e os fundos de infraestrutura estão bem posicionados para liderar a transformação da América Latina e converter suas vantagens naturais em progresso econômico sustentável.
Um leque de oportunidades em expansão não significa necessariamente um cenário homogêneo, especialmente em uma região tão diversa quanto a América Latina. Embora temas como digitalização, infraestrutura e inclusão financeira sejam comuns em muitos países, as condições para investir em capital privado variam consideravelmente. Marcos políticos e regulatórios, regimes fiscais e normas de mobilidade de capital diferem substancialmente, e a volatilidade cambial segue sendo uma constante na região.
Esses fatores impactam a estruturação de transações, decisões de financiamento e alternativas de saída, o que explica a divergência de resultados entre países, setores e grupos de investimento. Para os investidores, aproveitar o potencial de longo prazo dos mercados privados na América Latina exige mais do que identificar tendências atraentes: é preciso navegar com eficácia em um ambiente operacional complexo e heterogêneo. A dispersão de retornos é alta e se amplifica por diferenças em redes de originação, disciplina de análise e capacidades operacionais pós-investimento. Nesse contexto, a seleção de gestores com redes locais sólidas, acesso a oportunidades exclusivas e histórico comprovado de geração de valor operacional é fundamental. Aqueles com presença ativa e prolongada na região estão melhor posicionados para estruturar transações defensivas, gerenciar riscos e promover melhorias concretas nas empresas do portfólio. Na prática, o gestor ao qual se aloca capital pode ser tão determinante quanto o setor ou a temática escolhida.
Investir em ativos alternativos envolve riscos mais elevados do que investimentos tradicionais e é indicado apenas para investidores sofisticados. Os investimentos alternativos apresentam riscos superiores aos dos investimentos convencionais e não devem ser considerados como um programa de investimento completo. Eles não são eficientes do ponto de vista fiscal, portanto, o investidor deve consultar seu assessor tributário antes de investir. Normalmente, investimentos alternativos possuem taxas mais altas do que os investimentos tradicionais e podem ser altamente alavancados, além de utilizar técnicas especulativas, o que pode aumentar tanto o potencial de perda quanto de ganho. O valor do investimento pode diminuir assim como aumentar, e os investidores podem recuperar menos do que aplicaram.
Investimentos em commodities podem apresentar volatilidade maior do que investimentos em valores mobiliários tradicionais, especialmente quando os instrumentos envolvem alavancagem. O valor de instrumentos derivativos ligados a commodities pode ser impactado por movimentos gerais do mercado, volatilidade dos índices de commodities, alterações nas taxas de juros ou fatores que afetam uma indústria ou commodity específica, como secas, enchentes, condições climáticas, doenças em rebanhos, embargos, tarifas e desenvolvimentos econômicos, políticos e regulatórios internacionais. O uso de derivativos alavancados vinculados a commodities oferece a possibilidade de retornos mais elevados, mas, ao mesmo tempo, aumenta o risco de perdas significativas.
Podemos ajudá-lo a navegar em um cenário financeiro complexo. Entre em contato conosco para saber mais.
Contate-nosSAIBA MAIS SOBRE NOSSA EMPRESA E NOSSOS PROFISSIONAIS DE INVESTIMENTO NA FINRA BROKERCHECK.
Para saber mais sobre o negócio de investimentos do J.P. Morgan, incluindo nossas contas, produtos e serviços, bem como nosso relacionamento com você, consulte nosso Formulário CRS de J.P. Morgan Securities LLC e o Guia de Serviços de Investimento e Produtos de Corretagem.
JPMorgan Chase Bank, N.A.e suas afiliadas (coletivamente, "JPMCB") oferecem produtos de investimento que podem incluir contas administradas pelo banco e custódia como parte dos seus serviços fiduciários e de trust. Outros produtos e serviços de investimento, como contas de assessoria e corretagem são oferecidos através da J.P. Morgan Securities LLC("JPMS"), membro da FINRAe da SIPC. Produtos de seguros estão disponíveis por meio da Chase Insurance Agency, Inc. (CIA), uma agência de seguros licenciada, operando como Chase Insurance Agency Services, Inc., na Flórida. JPMCB e JPMS são empresas afiliadas sob controle da JPMorgan Chase & Co. Os produtos não estão disponíveis em todos os estados. Favor ler a Disposições Legais relacionada a estas páginas.
Por favor, leia o aviso legal para as afiliadas regionais do J.P. Morgan Private Bank e outras informações importantes em conjunto com estas páginas.